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Caçar, Noticias|19 de Outubro de 2010 19:50

Caça, sustentabilidade e desenvolvimento rural





    Vivemos numa sociedade cada vez mais urbanizada, desligada das tradições rurais e de toda uma herança cultural que, a meu ver, está em sério risco de se perder nos meandros de uma civilização dita moderna, mas contaminada por estrangeirismos culturais.
    A actividade cinegética é só mais um exemplo, entre tantos outros… Porém, por maior que seja a pressão das facções anti-caça que existem na nossa sociedade, há determinadas marcas sociológicas impossíveis de apagar e que demonstram na perfeição o quão a caça se encontra enraizada na cultura popular portuguesa.
    Os inúmeros topónimos relacionados com a caça constituem manifestações populares demonstrativas da relevância da actividade venatória. A influência da caça na cultura do povo português surge, de igual forma, espelhada em inúmeras lendas onde o enquadramento profano ou religioso está subjacente à presença da caça. Esta está presente em todas as dimensões culturais e, como não podia deixar de ser, expressa-se de forma pujante à mesa: os pratos de caça fazem parte do cardápio gastronómico de todas as regiões portuguesas.
    Os exemplos em epígrafe são alguns, entre outros, que constituem motivo, mais do que suficiente, para não renegar esta actividade que teve início nos primórdios do Homem e que, embora no seu princípio como meio de sobrevivência, depressa foi assimilada na consciência humana como muito mais do que isso, tal como demonstram as gravuras pré-histórias que se encontram em todo o mundo, revelando a comunhão da expressão artística com a actividade venatória, elevando a última, também, a uma forma de arte.
    Só uma civilização desarreigada da sua história e do património cultural do seu povo, poderá equacionar o fim de uma actividade que se confunde, em si mesma, com a fundação da sociedade que hoje somos.
    Não falo apenas de passado, mas também de presente e de futuro!
    A caça é, hoje, cartão-de-visita de muitos locais do país, constituindo um motor de desenvolvimento económico com valor acrescentado. O sector do turismo tem sabido, e muito bem, aproveitar esta janela de oportunidade quer ao nível da restauração, quer ao nível da hotelaria. Este sector é o “ganha-pão” de muitas pequenas e pitorescas unidades hoteleiras no interior que, sem a caça, provavelmente, há muito teriam fechado.
    A indústria ligada directamente ao sector é, também, um empregador valioso. As zonas de caça turísticas, enquanto prestadora de serviços que vão muito além da caça; técnicos de gestão de recursos naturais; guardas florestais auxiliares; indústrias de munições, armamento, couros e vestuário são, apenas, alguns exemplos que geram trabalho a milhares de pessoas, um pouco por todo o país.
    A somar a tudo isto, a caça desempenha, cada vez mais, um serviço à sociedade civil, enquanto actividade com preocupações conservacionistas. Esta última afirmação, embora possa parecer algo controversa, é uma realidade visto que, para garantir a sustentabilidade da caça a longo prazo, o caçador deve ser o primeiro ecologista!
    A gestão cinegética vai muito para além da mera imposição de limites de abate e do estabelecimento de períodos de caça. Todas as medidas de gestão têm em conta uma perspectiva vertical e integradora de todas as interacções intra-específicas. Assim, na maioria dos casos, ao promover-se o desenvolvimento das populações de determinadas espécies cinegéticas, promove-se, igualmente, o desenvolvimento de outras que co-habitam o mesmo habitat.
    A gestão cinegética presta um verdadeiro serviço público: são parte activa na preservação de fauna autóctone e endémica de Portugal; as medidas de melhoramento do habitat permitem, ainda, manter muitas das características da paisagem agrícola, em especial nas zonas rurais sujeitas ao progressivo abandono dos campos.
    Felizmente que o antagonismo que se fazia sentir, há alguns anos atrás, entre as associações ecologistas e ambientalistas e as do sector da caça, que se ostracizavam mútua e continuamente, deu lugar ao estabelecimento de sinergias que, sem dúvida, serão úteis e proveitosas para todos. Espero que o mesmo tipo de reconhecimento seja dado por toda a sociedade e que o lobby anti-caça seja consumido pela razão dos factos que acabei de explanar. Eu darei o meu contributo.
Autor: Engº Manuel Lourenço

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1 comentário

  • muito boa sua visão, se todos nos preucupássemos de verdade com sustentabilidade, apoiaríamos a caça, pois como tu mesmo disse, os caçadores podem ser os maiores preservadores da natureza que esse nosso “mundinho” ja viu, parabéns…………